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A História do Continente Africano

A África na Antiguidade

A África é considerada o berço da humanidade, pois por meio de longas pesquisas e estudos a partir de fósseis de hominídeos descobriu-se que o primeiro ser da espécie Homo sapiens surgiu neste continente.
O registro escrito da história da África ocorreu somente depois que outros povos de outros continentes começaram a registrar o seu conhecimento sobre os povos africanos, com exceção do Egito, Axum e Monroe que já tinham sua própria forma de registro escrito. Mesmo assim, pouco se sabe sobre a história da África de antes do Século X, quando esta começou a ser datada.
O Egito foi o primeiro estado a ser constituído na África há cerca de 5000 anos, mas muitos outros reinos e cidades-estados foram surgindo ao decorrer do tempo neste continente.
A atual área do Deserto do Saara (que era bastante fértil nos tempos antigos) foi um dos primeiros locais a se praticar a agricultura. Contudo, após sua desertificação, a população do Norte passou a se concentrar nas proximidades do Rio Nilo.


Colonização Européia

A África sempre teve parte de seu território dominado politicamente e explorado por povos europeus e asiáticos. Desde a Antiguidade havia colonização na África, quando os fenícios estabeleceram colônias no mediterrâneo até as potências européias da Idade Moderna que buscavam rotas para as Índias.
O desejo de se aproveitar do primitivismo do povoado africano para a obtenção de escravos e exploração dos recursos da terra resultou na Colonização Européia dos povos africanos.
Mas foi a partir do século XV que esse processo de colonização se intensificou. O monopólio da rota marítima do mediterrâneo incentivou Portugal (que acabara de se unificar) a procurar rotas alternativas para o comércio das especiarias do oriente. A rota encontrada pelos portugueses foi o contorno pelo litoral africano até a Índia.
Durante esse longo período foram criadas feitorias e portos para monopolizar o comércio daquela região. As feitorias além de centro comercial eram pontos de apoio à navegação, possibilitando o alcance de pontos cada vez mais distantes no litoral africano. Os principais produtos comercializados nessas feitorias eram as especiarias do oriente, o tráfico de escravos para as plantations na América e o ouro da costa da Guiné. A Expansão Marítima foi de grande auxílio para a colonização européia no continente.
Na África da época, também existiam muitas tribos primitivas. Havia muitas guerras entre estas tribos, nas quais a os sobreviventes da perdedora tornavam-se escravos da vencedora.
Com a colonização das Américas surgira mais um prejuízo para os habitantes africanos: o Tráfico Negreiro, em que eram buscados negros da África para trabalharem como escravos em outras colônias européias. Tais escravos eram adquiridos a partir de negociações com as tribos vencedoras das guerras , que os trocavam por mercadorias de pouco valor na Europa (exemplo: tabaco e aguardente).

Escravos africanos eram comercializados para todas as partes do mundo

Após a Revolução Industrial e a independência das colônias do continente americano, no século XVIII, as potências européias começaram a dominar administrativamente várias áreas da África, assim como da Ásia, para expandir o comércio em busca de mão-de-obra, matéria-prima e mercado consumidor.
Neste período a África e seus povos foram divididos a partir dos interesses de seus colonizadores europeus, o que fez com que tribos aliadas fossem separadas e tribos inimigas unidas em um mesmo território, o que só prejudicou a situação dos conflitos internos na África.
Após a Segunda Guerra Mundial, as colônias na África começaram a conquistar sua independência, e formar os atuais países existentes no continente africano.


O Apartheid

Na África do Sul, por mais que sua população fosse constituída de maioria negra, os brancos, que tinham privilégios, detinham todo o poder político e tinham seus próprios e melhores direitos civis. Essa atitude de segregação da população negra na África do Sul veio a ser denominada de Apatheid, e foi iniciada em 1911.
Em 1948 a política de segregação racial foi oficializada, criando direitos e áreas residenciais para brancos, negros, asiáticos e mestiços.
Em 1950 foi criado o CNA (Congresso Nacional Africano) que é um partido político contra o Apartheid. Seu líder era Nelson Mandela. Diante de tal situação, cresceram o descontentamento e a revolta da maioria subjugada pelos brancos. Os choques tornaram-se frequentes e violentos, e as manifestações de protesto eram decorrência natural desse quadro injusto.
Em 1960 o CNA foi considerado ilegal pelo governo e, seu líder, Mandela, preso.
De 1958 o 1976, a política do Apartheid foi se fortalecendo, por mais que houvesse rebeliões negras.
A comunidade internacional pressionou a favor da abolição do Apartheid.
Em 1992, Frederik de Klerk aboliu as leis discriminatórias e libertou Mandela.
A partir de 1994 até hoje o CNA governa o país.


O Processo de Descolonização

Na metade do século XX o fim da Segunda Guerra Mundial havia fustigado a Europa, e a deixou sem condições para continuar a manter um domínio econômico e militar nas suas colônias. Tal fato associado aos movimentos independentistas que ocorriam levou as antigas potências coloniais a negociarem a sua independência, iniciando-se a descolonização.
Os primeiros a contemplar tal feito foram o Egito nos anos 20, além da África do Sul e Etiópia, ambos nos anos 40.
O enfraquecimento econômico e político de grande parte dos países europeus, especialmente aqueles que detinham colônias na África, foram se agravando, e os países hegemônicos foram aos poucos perdendo o controle sobre os territórios de sua administração. Aliado à questão da guerra, surgiram grupos e movimentos que lutavam em busca da independência política. Essa onda libertária se dispersou por todo o continente e perdurou por vários anos. Posteriormente, o resultado foi a restituição dos territórios e surgimento de pelo menos 49 novas nações africanas. Porém, a luta pela independência se intensificou na década de 60, sempre marcada pelo derramamento de sangue, uma vez que nunca havia atos pacíficos. Mesmo com todas as adversidades, os países foram alcançando sua independência política. No entanto, a divisão dos territórios ficou definida a partir da concepção européia, que não levou em consideração as questões de ordem étnicas e culturais. Tal desatenção desencadeou uma série de conflitos em distintos lugares da África. Com a instauração das novas fronteiras, algumas tribos foram separadas, grupos rivais agrupados, entre outros fatores que colocaram em risco a estabilidade política na região. Infelizmente, tal situação perdura até hoje.

Autores: Anna Gabriella, Bernardo e Pedro Paulo



A Política na África

O líder anti-apartheid Nelson Mandela, que presidiu a África do Sul ao fim do regime segregacionista


O apartheid foi estabelecido oficialmente na África do Sul em 1948 pelo Partido dos Nacionalistas que ascendeu ao poder e bloqueou a política integracionista que vinha sendo praticada pelo governo central.O Partido dos Nacionalistas representava os interesses das elites brancas, especificamente da minoria boere. Após 1948, o sistema de segregação racial atingiu seu auge. Foram abolidos definitivamente alguns direitos políticos e sociais que ainda existiam em algumas províncias sul-africanas.

As diferenças raciais foram juridicamente codificadas de modo a classificar a população de acordo com o grupo social a que pertenciam. A segregação assumiu enorme extensão permeando todos os espaços e relações sociais. Os casamentos entre brancos e negros foram proibidos, por exemplo. Os negros não podiam ocupar o mesmo transporte coletivo usado pelos brancos, não podiam residir no mesmo bairro e nem realizar o mesmo trabalho, entre outras restrições.


Declínio do apartheid
O apartheid é o único caso histórico de um sistema onde a segregação racial assumiu uma dimensão institucional. Essa situação permite definir o governo sul-africano como uma ditadura da raça branca.Na década de 1970, o governo da África do Sul tentou, em vão, encontrar fórmulas que pudessem assegurar certa legitimidade internacional. Porém, tanto a ONU (Organização das Nações Unidas) como a Organização da Unidade Africana, votaram inúmeras resoluções condenando o regime.

No transcurso dos anos 70, a África do Sul presenciou inúmeras e violentas revoltas sociais promovidas pela maioria negra, porém duramente reprimidas pela elite branca. Sob o governo de linha dura, liderado por Peter. W. Botha (1985-1988), tentou-se eliminar os opositores brancos ao governo e as revoltas raciais foram duramente reprimidas.
Porém, as revoltas sociais se intensificaram bem como as pressões internacionais. Em 1989, Frederic. W. de Klerk, assumiu a presidência. Em 1990, o novo presidente conduz o regime sul-africano a uma mudança que põe fim ao apartheid. Neste mesmo ano, o líder negro Nelson Mandela, que desde 1964 cumpria pena de prisão perpétua, é posto em liberdade. Nas primeiras eleições livres, ocorridas em 1993, Mandela é eleito presidente da África do Sul e governa de 1994 a 1999.


Neoliberalismo
Destinado a criar um consenso, o slogan foi escolhido para acompanhar as comemorações oficiais do 50º aniversário da independência de Gana, no dia 6 de março. Provocou uma controvérsia: quem e o que, na história do país, pode simbolizar a excelência africana? Desde então, um grande debate sacode a imprensa. Discussão fomentada desde a herança de Kwame Nkrumah, primeiro presidente desse pequeno Estado da África Ocidental e personagem do panafricanismo, até a política do atual presidente John Kufuor. Cinqüenta anos após libertar-se da dominação colonial, o país continua diante dos mesmos problemas de 1957.


Do anti-imperialismo ao neo-liberalismo, em três mandatos
Na economia e na política, Gana viveu, desde a década de 1960, todas as experiências africanas. Sob a presidência de Kwame Nkrumah, a economia foi administrada com investimentos na infra-estrutura e no setor social. O governo conduziu uma política de industrialização destinada a reduzir as importações. Nkrumah tornou-se portador da mensagem anti-imperialismo, o que incomodou os países ocidentais. Após sua derrubada, em 1966, por um golpe de Estado apoiado pela CIA, o país entrou em um período de instabilidade política, no qual permaneceu até 1982. Em seguida, viveu a imprevisibilidade dos preços das matérias-primas. Como o resto do continente, teve de enfrentar corrupção e má gestão. Sob a presidência de Jerry Rawlings, converteu-se à economia de mercado, com o apoio de instituições financeiras internacionais e dos países do Norte. Modelo de experiências pós-coloniais até os anos 1960, Gana tornou-se paradigma das políticas neoliberais.

Kufuor, sucessor de Rawlings, em 2000, completará seu próprio mandato em 2008. Dos oito presidentes ganenses, somente dois ficaram mais tempo que ele no poder: Rawlings (18 anos) e Nkrumah (9 anos). Nkrumah foi, segundo Amilcar Cabral, “um estrategista talentoso na luta contra o colonialismo clássico”. Rawlings é o arquiteto da Gana atual. Depois de tomar o poder por meio de um golpe de Estado em 1981, foi reeleito duas vezes chefe do Estado. Aparece como o Janus da vida política local, a ponte entre Nkrumah e Kufuor. Durante os primeiros anos de sua presidência, ressaltou a necessidade de reformas econômicas estruturais, de justiça social e, em matéria de política externa, do antiimperialismo. Atacou vigorosamente a corrupção e dirigiu o país de maneira autoritária.

Inicialmente, esse posicionamento geral incitou a desconfiança de Washington. Autocrata e demagogo, Rawlings soube canalizar as esperanças da população e obter sua confiança propondo o objetivo de promover socialmente de uma elite. Mas, embora lembrasse Nkrumah na aparência, quando deixou o poder, em 2000, havia transformado seu país em modelo do liberalismo econômico que conhecemos hoje. Sua política de abertura para os mercados externos era fundamentalmente baseada na busca de investimentos estrangeiros. Reativou o crescimento econômico e restabeleceu a estabilidade política. Porém, abandonou o objetivo de transformar as estruturas da economia de Gana (historicamente dependentes do exterior).


No fim do século, queda das matérias-primas desfaz as ilusões
As duas vitórias eleitorais de Rawlings, em 1992 e 1996 — na última, vencendo o futuro presidente Kufuor —, fizeram-no pensar que estava em harmonia com o país. Entretanto, setores do Congresso Democrático Nacional (NDC), o partido no poder, e uma parte significativa da população continuaram reticentes à economia de mercado. Além disso, importantes frações das elites de Gana recusaram-se a reconhecer o que deviam a Rawlings, principalmente reformas econômicas draconianas e a restauração da autoridade do Estado, condições necessárias à sua prosperidade.

Os que haviam financiado a restauração econômica adotaram uma atitude mais pragmática: o presidente norte-americano William Clinton e a rainha Elizabeth II foram a Acra exprimir sua gratidão a Rawlings por ter reconduzido Gana à órbita ocidental. O antiimperialismo herdado de Nkrumah havia dado lugar ao ambiente da Commonwealth. No entanto, as grandes potências continuavam a desconfiar de um homem de caráter imprevisível, cuja base social parecia frágil.

Produto de vários fatores, a vitória de John Kufuor, em 2000, resolveu essas contradições. Na época, o NDC estava atormentado por tensões internas suscitadas pela sucessão de Rawlings. Esse havia se fragilizado devido ao aumento da corrupção e aos reflexos autoritários que o distanciaram da população. Entretanto, foi a crise econômica de 1999, provocada pela queda dos preços das matérias-primas, que acabou com o governo. As cotações do ouro, do cacau e da madeira — principais recursos do país — caíram, entre 1998 e 2000 (a do cacau caiu 1/3). Na mesma época, o custo das importações de petróleo duplicou, em virtude da alta do barril nos mercados mundiais.

A crise, produzida após anos de frustrações sociais relacionadas ao crescimento das desigualdades, revelou as fragilidades estruturais da economia de Gana: dependência da ajuda externa e peso da dívida, que passou de um bilhão de dólares, em 1983, para seis bilhões, em 2000. Duas décadas de liberalismo econômico e de "livre" comércio fragilizaram a produção local (agricultura, manufatura) e agravaram a dependência externa do país, problema com o qual Gana continua se confrontando. O golpe de misericórdia no governo Rawlings foi dado quando um conflito com os doadores atrasou a chegada da ajuda, no final dos anos 1990. Alguns membros do NDC avaliam que as instituições internacionais procuraram favorecer a vitória de Kufuor, personagem muito mais controlável (Sob a tutela da Casa Branca).


Instabilidade social. Enfraquecimento da nação. Dependência
Em 2001, o novo presidente aceitou a iniciativa países pobres muito endividados (HIPC, na sigla inglesa). Essa decisão voltou a reconhecer que as reformas liberais, tão vangloriadas, haviam, na realidade, levado o país à falência e o tinham tornado mais vulnerável às condicionalidades das instituições doadoras. Ainda assim, Kufuor mostrou-se disposto a estender e aprofundar as políticas em questão. Em troca, as instituições financeiras aceitaram liberar o país de uma parte de sua dívida. A ajuda voltou e o governo pôde estimular a educação primária e a infra-estrutura. Entre 2001 e 2006, o crescimento passou de 3% para 6%. No entanto, o aumento das desigualdades e as fragilidades estruturais da economia constituem uma bomba de efeito retardado para um regime aparentemente estável.

Foi prometendo “a idade do ouro dos negócios” que o presidente Kufuor elegeu-se em 2000. Sete anos depois, os empresários locais, principalmente os da pequena manufatura, reclamam que o governo só pensa em satisfazer o capital estrangeiro. A prioridade dada ao "livre" comércio traria um prejuízo ao desenvolvimento da capacidade produtiva da antiga Costa do Ouro.

Em 2000, 80% da população ativa exerce alguma atividade no setor informal: por exemplo, camelôs não regulares. Na maior parte das grandes cidades, esse fenômeno derrota as autoridades, que respondem com medidas de segurança. Na verdade, as dificuldades da vida cotidiana e a corrupção cada vez maior corroeram a confiança que a população tinha no partido do poder — o Novo Partido Patriótico (NPP). País-símbolo, Gana não conseguiu traçar a via de um desenvolvimento autônomo, nem colocar em ação as transformações socioeconômicas necessárias.


Sob a tutela da Casa Branca
Além de seguidora emblemática do "Consenso de Washington", Gana transformou-se, no governo de Kufuor, num aliado militar estratégico dos EUA e da Inglaterra.
O presidente George W. Bush e o primeiro-ministro britânico Anthony Blair transformaram Gana em modelo do que é “bom para a África”. O presidente John Kufuor dispõe de um acesso privilegiado à Casa Branca e a 10, Downing Street, Bush o qualificou de “visionário e "homem de caráter”, que teria feito um “trabalho fantástico para seu país”.

O que deixa Washington tão satisfeito com Gana é a expansão discreta, mas muito clara, da cooperação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), tanto no que diz respeito a informações quanto a operações militares. Os Estados Unidos desejam “garantir” as reservas petrolíferas do golfo da Guiné. Vários exercícios militares conjuntos foram organizados em terra e no mar. Em outubro de 2005, eles envolveram, mil soldados do exército de Gana e da Otan.
“Gana nos interessa”, declarou, em maio de 2004, o general Joseph Ralston, que dirigia o Comando Aliado Supremo na Europa. O que fundamentalmente nos interessa é a segurança, a paz, os investimentos econômicos, o desenvolvimento dos países da África. Gana revela-se um pólo de estabilidade que queremos ter certeza de reforçar. E se for preciso executar operações em países menos estáveis, poderíamos nos basear em Gana e discutir com os países interessados.

Nesse contexto, encaixa-se a maior parte dos países africanos, que está à margem desse processo. Atualmente, o capital disponível para investimento tem como preferência a América Latina, os países do Leste Europeu e asiáticos. Isso é um problema para a África, pois, sem esse capital, dificilmente se desenvolverá, devido à precariedade estrutural em que se encontra. Do ponto de vista histórico, a vinculação africana ao mercado internacional foi desastrosa e desorganizadora da economia tribal, já que a relação dos países economicamente hegemônicos com o continente sempre foi exploradora e predatória. Durante o mercantilismo, o principal papel desempenhado pela África em relação ao mercado mundial foi o de fornecedor de mão-de-obra para o sistema escravocrata.

O caos e a violência no Zimbábue podem ser examinados como uma metáfora dos flagelos que fazem da África o continente com a maior concentração de países miseráveis. No epicentro dessa devastação está um presidente larápio, sustentado por um discurso nacionalista e pela complacência de outros países africanos. Esse déspota é Robert Mugabe, presidente do Zimbábue desde a criação do país, em 1980, reeleito na sexta-feira passada num segundo turno em que era o único candidato. O ineditismo de uma segunda rodada com um só concorrente deve-se à truculência com que o governo investiu contra a oposição nos últimos dois meses. Depois de cinco semanas durante as quais se recusava a divulgar o resultado do primeiro turno (seu adversário, Morgan Tsvangirai, líder do Movimento para a Mudança Democrática, tinha vencido com 48% dos votos), Mugabe iniciou uma campanha de violência contra a oposição de dimensões raras vezes presenciadas fora da África. Tsvangirai foi preso várias vezes. Pelo menos 2 000 de seus partidários foram igualmente parar na cadeia. Outros oitenta foram assassinados por esquadrões da morte a serviço do governo. Mais de 200 000 pessoas tiveram de fugir de casa para escapar à perseguição. Às vésperas do pleito, num crescente frenesi de crueldade, as esposas de dois oposicionistas preeminentes foram mutiladas a facão e queimadas vivas. A retirada da candidatura de Tsvangirai, que se refugiou na Embaixada da Holanda, foi uma tentativa de interromper a chacina.

O governo da África do Sul divulgou novas informações sobre a onda de violência contra os imigrantes que assolou o país, e aumentou o número de mortes de 50 para 56.

Refugiados recebem ajuda em acampamento montado em uma igreja a leste de Joanesburgo, na África do Sul.


A Organização pela Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) relata que, pela primeira vez, a África recebe mais dinheiro de investidores que ajuda externa. O continente continua pobre, doente e mal governado. Mas há um impulso positivo. Em nenhum lugar isso é mais verdadeiro que em Ruanda. Se havia um país que parecia estar destinado ao fracasso, era Ruanda. Há pouco mais de 15 anos, Ruanda sofreu o genocídio mais brutal desde o Holocausto. Em cem dias, hordas de hutus massacraram mais de 800 mil tútsis. Previa-se que Ruanda mergulharia em um ciclo de morte como o da Somália. O país agora é estável, organizado e está sendo reconstruído. O país tem muito menos corrupção que no resto da África. Kagame comandou o Exército rebelde que acabou com o genocídio e tem sido a figura mais influente da política em Ruanda. Kagame não se fiou em gente de fora para construir sua conquista essencial, que foi a reconciliação política. Kagame, então, passou a usar um sistema engenhoso – os tribunais gacacas, em que as pessoas confessam o que fizeram e são punidas, mas na maior parte das vezes são perdoadas e reintegradas às comunidades. Há ressentimento na independência de Kagame. Ele rejeita recomendações internacionais. Ele alimentou o conflito no Congo e acusa as forças de paz da ONU de agravar os problemas lá. Ele não apoia o Tribunal Penal Internacional, apesar de ele ter indiciado o presidente sudanês, Omar al-Bashir, por ações que se parecem com o genocídio em Ruanda. “Justiça internacional é uma fraude”, me disse. Kagame afirmou que autoridades francesas deveriam ser julgadas por armar as forças que levaram a cabo o genocídio em Ruanda. Kagame tem seus defeitos. Apesar de ter sido eleito, ele governa autoritariamente. Mas, ao enfatizar a autoconfiança, fornece um quadro intrigante de como pode ser um futuro mais esperançoso para a África – conduzido pelo capitalismo, pelo orgulho, pelas tradições locais e por um nacionalismo espinhoso que insiste em encontrar seu próprio caminho para o sucesso.

A África do Sul é uma república democrática parlamentarista, e é o único país que possui três capitais. São elas: Cape Town, a capital legislativa; Pretoria, a capital executiva; Bloemfontein, a capital judiciária. Há um parlamento bicameral, assim como no nosso país. Ele se divide no National Council of Provinces, com 90 membros, a casa maior, e no National Assembly, com 400, a casa menor. Os membros desta são eleitos pelo sistema proporcional, como os nossos deputados federais, só que a cada cinco anos. Os daquela são eleitos em 10 para cada província, também a cada cinco anos. Seus representantes são eleitos em nível federal, provincial e local.

O Governo Federal é formado na casa menor, e o líder da maioria na National Assembly é o presidente. O atual se chama Thabo Mbeki, que sucedeu o popular Nelson Mandela.
A constituição vigente do país começou a ser adotada em 08 de maio de 1996, depois da queda do apartheid.

Sua política, nos dias de hoje, gira em torno de quatro partidos principais: o African National Congress, que representa a maioria; a Democratic Alliance, em segundo lugar; a Inkatha Freedom, com eleitores zulus e os Independent Democrats.
O Judiciário do país é um poder independente dos demais. É divido na Constitucional Court, a corte suprema, a Supreme Court of Appeal, a corte de recursos, as High Courts, cortes de nível federal, e as Magistrates Courts, de nível provincial. Além dessas, há outras cortes criadas nos termos do Act of Parliament.

Autora: Gabriella


Conflitos Africanos

A influência da colonização no desenvolvimento da África
No século XIX, as potências européias iniciaram um movimento expansionista em busca de mercados, matéria prima e campos para investimentos. No final deste mesmo século, dentre as quais se destacaram a França e a Inglaterra, se propuseram à partilha e colonização da África. Para legitimar essa exploração, os europeus se fundamentaram em teorias racistas, que os caracterizavam como membros de uma raça superior, cujo dever seria civilizar as “raças inferiores”, os asiáticos e africanos. Essas teorias apenas camuflavam o caráter predatório da colonização.

Para exercer o domínio sobre a região, as nações da Europa delegaram o poder político a chefias tribais ou a elites brancas. Em Ruanda, os colonizadores alemães nomearam para governar membros da etnia tutsi em detrimento da etnia hutu, maioria no país. Na África do Sul, o poder se concentrou nas mãos dos brancos, que marginalizavam os negros. Além disso, nas diversas colônias, foi introduzido o trabalho compulsório e foi imposto o convívio de tribos rivais sob um mesmo território. Sendo assim, a colonização estimulou o racismo e a rivalidade entre as etnias.

A partir da segunda metade do século XX, a maioria dos territórios tornou-se independente. A maior parte das colônias francesas e inglesas se emancipou por meio de negociações. Entretanto, os domínios portugueses, Angola e Moçambique, por exemplo, enfrentaram um longo período de guerras pela independência, que só foi alcançada em 1975. Com a emancipação das nações africanas, esperava-se a formação de Estados democráticos, mas isso não ocorreu.

As fronteiras políticas pouco identificadas com os aspectos culturais do continente foram conservadas e as metrópoles foram substituídas por elites tribais que criaram regimes autoritários. Utilizando os mecanismos políticos e militares introduzidos pelos europeus, essas elites excluíram etnias rivais da participação política e se perpetuaram no poder. O líder da independência da Zâmbia, Kenneth Kaunda, assumiu a presidência e permaneceu por 27 anos no poder.

Portanto, a colonização e a “fracassada” emancipação criaram um cenário de enorme instabilidade na África, um grande desafio a ser superado nas décadas posteriores.

Conflitos Sociais na África

O continente africano, além da pobreza, sofre pelos conflitos armados há décadas - ao mesmo tempo em que a miséria consiste em uma causa profunda de guerras, também é intensificada pelas práticas de extrema violência, num ciclo vicioso dos mais cruéis. No meio deles, estão povos e nações que buscam uma autonomia frente a governos autoritários, geralmente exercidos pela etnia majoritária.

A maioria das guerras ocorridas após o processo de descolonização é decorrente da divergência étnica, visto que as fronteiras européias se mantiveram, obrigando tribos diferentes a viverem juntas. Muitas vezes as guerras civis chegam a ter apoio popular, pois grupos tentam tomar o poder alegando que irão reverter injustiças. Apenas entre 1999 e 2000, ocorreram 18 conflitos no continente.

Na África há um paradoxo entre a pobreza do povo e a riqueza da terra. Ao mesmo tempo em que o continente concentra os piores índices de desenvolvimento humano, também tem reservas de extraordinárias riquezas naturais, como petróleo, diamantes, ouro, cobre, cobalto e coltan (liga metálica usada na fabricação de componentes eletrônicos). Parte dessas riquezas foi drenada para financiar a violência contra as próprias populações africanas como, por exemplo, os diamantes de sangue de Angola, Congo e Serra Leoa. Outra parte enriqueceu grandes investidores estrangeiros, com as bênçãos de governos instáveis e corruptos.

Enquanto nos dias atuais o processo de democratização é implantado, muitos países vêm passando por dificuldades financeiras e presenciando o ressurgimento de rivalidades tribais. Alguns exemplos podem ser citados, como: a Libéria, em que a luta guerrilheira contra a ditadura militar entre 1989 e 1990, levou o nação ao caos político e econômico, sendo que 1 milhão de refugiados hoje se abrigam em Estados vizinhos; a Somália, em 1969, também sofreu sérios problemas econômicos, teve suas áreas divididas por diferentes grupos armados – oito clãs que disputam o poder -, enquanto o número de refugiados aumentava e centenas de milhares de pessoas morriam por inanição, além das intervenções da ONU e EUA que foram mal-sucedidas.


As razões para disputas são muito diversificadas. Na Argélia, por motivos religiosos, cerca de 200 pessoas foram mortas por um grupo terrorista durante o Ramadã – mês sagrado para os islâmicos. Por questões políticas, bem no meio da Guerra Fria, houve uma guerra civil na Angola, capitaneada por um partido comunista e outro anticomunista. Em 1994, um genocídio aconteceu em Ruanda, sendo que oitocentos mil tutsis e hutus foram mortos por militares e milicianos.

Com as informações anteriormente expostas, podemos entender que a maioria dos conflitos africanos, mesmo sendo diferentes entre si, possui raízes no processo colonial e a desorganização que foi o fim dele, baseado numa visão etnocêntrica. Nos últimos anos, tenta-se mudar o cenário com a ajuda internacional, embora muitos governos locais priorizem a manutenção dessas guerras ao invés de utilizar os auxílios de forma benéfica. A África anseia por ajuda.



Autores: Luiz Eduardo, Matheus Bessa e Victor


Economia da África


A África é o continente mais pobre do mundo. Cerca de 260 dos 783 milhões de habitantes da África vivem com menos de 1 dólar ao dia, abaixo do nível da pobreza definido pelo Banco Mundial. O avanço de epidemias, o agravamento da miséria e os conflitos armados vêm levando esta região a um verdadeiro caos. Além disso, quase 2/3 dos portadores do vírus HIV do planeta vivem neste continente. O atraso econômico e a ausência de uma sociedade de consumo em larga escala, colocam o mercado africano em segundo plano no mundo globalizado. O PIB total da África é de apenas 1% do PIB mundial, e o continente participa de apenas 2% das transações comerciais que acontecem no mundo.

Em sua maioria, os africanos são tradicionalmente agricultores e pastores. A colonização européia aumentou a demanda externa de determinados produtos agrícolas e minerais próprios do continente. Para atendê-la, foram construídos sistemas de comunicação, introduzidos cultivos e tecnologia européia e desenvolvido um sistema de economia de intercâmbio comercial, que continua coexistindo com a economia de subsistência.

Embora um quarto do território africano seja coberto por florestas, grande parte da madeira só tem valor como combustível. Gabão é o maior produtor de okoumé, um derivado da madeira usado na elaboração de compensado (madeira em chapa). Costa do Marfim, Libéria, Gana e Nigéria são os maiores exportadores de madeira de lei. A pesca marítima, que é muito difundida e voltada para o consumo local, adquire importância comercial no Marrocos, na Namíbia e na África do Sul. A mineração representa a maior receita dentre os produtos exportados. A indústria de extrações minerais é um dos setores mais desenvolvidos em boa parte da economia africana. Além disso, Serra Leoa tem a maior reserva conhecida de titânio.

A nação mais industrializada do continente é a África do Sul, que alcançou relativa estabilidade política e desenvolvimento, possuindo sozinha 1/5 do PIB de toda a África. Porém, também já foram implantados notáveis centros industriais no Zimbábue, no Egito e na Argélia. O principal bloco econômico é o SADC, formado por 14 países, que se firma como o pólo mais promissor do continente.

Um novo relatório elaborado conjuntamente pelas Nações Unidas e a União Africana apela por um forte impulso na agricultura para promover o desenvolvimento econômico da África. O relatório afirma que a crise econômica global e a prevista longa recessão irão atingir duramente as economias africanas. Economistas dizem que a crise financeira já resultou numa menor procura das exportações na África e num forte declínio nos preços das mercadorias. O relatório indica que todos os grandes países industrializados adaptaram pacotes de estímulo econômico injetando bilhões de dólares nas suas economias para segurar empresas em dificuldades e aumentar a procura de bens e serviços.

Entretanto, a economista Halima Noor Abdi, da Comissão Econômica para África das Nações Unidas, disse que os países africanos não possuem recursos para suportar suas economias. "As implicações para a África são, atualmente, muito claras. Quando a recessão ou a crise financeira global começaram, as pessoas pensavam que pelo fato da África não estar integrada nos mercados financeiros mundiais, estas não teriam impacto no continente. Porém, agora descobriram que a crise financeira se tornou uma crise econômica que atualmente tem impacto na África de várias formas. A nossa parte do comércio mundial está indo abaixo." Além disso, Noor Abdi disse que haverá um declínio nos fluxos de capitais da África, incluindo investimentos diretos, ajudas financeiras e remessas de imigrantes. Acrescentou, também, que muitos africanos que vivem no estrangeiro poderão perder seus empregos, ficando com menos dinheiro para enviar às suas famílias.

O relatório chama atenção especial para a agricultura como forma de promover o desenvolvimento econômico. A economista Halima Noor Abdi afirmou também que isso faz sentido, pois oferece grandes perspectivas de criação de empregos, aumenta as receitas e gera a procura de produtos agrícolas e não agrícolas processados, estimulando o desenvolvimento e o crescimento nos setores de indústrias e serviços.

Autores: Lucas Avolio, Marcus Vinícius e Wanessa Barbosa.



Doenças na África

O vídeo abaixo fala sobre aspectos relacionados à saúde no continente africano. Feito por alunos da turma, tem imagens de diversos países e informações sobre as doenças que mais afetam a população da África.



Autores: Ana Beatriz, Heloisa Emery, Mariana Mendes, Matheus Ribeiro e Shana Catharino.


A Cultura na África

A África é muito rica em costumes, danças, crenças, apesar de ter sofrido influências do séc. XV, período da colonização brasileira que foi palco de um cenário muito triste, quando mais de quatro milhões de homens e mulheres africanos escravizados oriundos de diferentes regiões da África cruzaram o oceano Atlântico nos porões de diversos navios negreiros.


Música na cultura africana
A cultura musical africana tem grande importância mundial. Ritmos originários da África subsaariana, em particular no Oeste da África, foram transmitidos através do tráfego de escravos pelo Atlântico e resultaram em estilos musicais como o samba, blues, jazz, reggae, rap, e rock n’ roll.
Grande parte das culturas tradicionais foi empobrecida como resultado de anos de negligência e supressão dos regimes coloniais. Existe agora um renascimento nas tentativas de redescobertas e valorização das culturas africanas tradicionais. Entretanto, em anos recentes, a cultura africana tradicional muitas vezes tem sido relacionada com a pobreza rural e agricultura de subsistência.


Danças Africanas
A dança: uma expressão perpendicular de um desejo horizontal dada aos africanos. Os africanos têm um talento nato, cadenciado no compasso coração, dando assim vida a dança. As danças típicas da áfrica são: kizomba, semba, Funaná, Kuduro, e dança tribal.

Kizomba: surgiu em Angola nos anos 80 e é uma versão eletrônica e urbana com origens no semba e no zouk das Antilhas. Cada vez mais popular nas pistas de dança em Portugal, é atualmente uma das mais importantes expressões da música de dança africana, sendo simultaneamente o gênero de dança e um estilo de música. Uma dança a dois, quente, suave, contagiante e sensual, que propicia uma verdadeira cumplicidade entre os corpos. Na dança, são importantes fatores as noções de tempo e contra-tempo, as transferências de peso, a sutileza da condução e a gestão das pausas e hesitações.

Semba: é uma dança de salão angolana urbana, surgiu em Angola nos anos 50/60. Também dançada a pares, caracteriza-se por ser uma dança de passadas, onde os cavalheiros têm um grande grau de improviso. É uma dança de divertimento em festas, dançada ao som da música que lhe dá o nome - Semba.

Funaná: É um gênero musical de Cabo Verde, originário da Ilha de Santiago e tocado com acordeão. Antigamente, qualquer que fosse a festa (um casamento, um batizado, uma festa religiosa) era sempre ao som deste ritmo. Pode ser dançado a par ou individualmente. É uma dança quente, apaixonante, acelerada…

Kuduro: proveniente também de Angola, é uma dança criativa que pode ser dançada de forma individual ou em grupo, ao som de música batida, de estilo tipicamente africano, criada e misturada geralmente por jovens. Em grupo é dançado sob a forma de Esquema, designando-se por Dança da Família, onde em coreografia coordenada o mesmo passo é repetido diversas vezes pelos participantes na dança.

Danças Tribais Africanas: danças e rituais que despertam o ritmo e as expressões corporais, que existem dentro de nós, inspirando o corpo e a alma se entrelaçam com dinamismo e alegria de viver. Dança de saltos atléticos, figurinos exóticos e ritmos de êxtase, é uma expressão fortíssima de sentimentos artísticos, emocionais e religiosos.

No vídeo abaixo, um clipe de um grupo musical africano chamado Bela Tchicola:



Artes na cultura africana


A cultura africana tem uma rica tradição artística representada por uma variedade de entalhos em madeira, trabalhos em bronze e couro. As artes africanas incluem esculturas, pinturas, cerâmica, máscaras cerimoniais e vestimentas religiosas. A cultura africana sempre deu ênfase na aparência das pessoas e, as jóias, colares, braceletes e anéis permaneceram como um acessório pessoal importante. De maneira similar, máscaras são feitas com desenhos elaborados e constituem parte importante da cultura africana. Máscaras são usadas em uma variedade de cerimônias e rituais.
Na maioria da arte tradicional da cultura africana, certos temas são recorrentes, como um casal, mulher com criança, homem com arma ou animal, e um forasteiro. O casal raramente exibe intimidades e pode representar ancestrais e fundadores da comunidade. A mulher com a criança retrata o desejo intenso das africanas de ter filhos. O homem com arma ou animal simboliza honra e poder. O forasteiro pode ser alguém de outra tribo ou outro país, sendo que quanto mais distorcido ele for, maior tenderá a ser suas diferenças com a cultura que o retratou.


Lendas e folclores na cultura africanaAs lendas e folclores representam a variedade de facetas sociais da cultura africana. Como em quase todas as civilizações e culturas, mitos de inundação circulam em diferentes partes da África. Por exemplo, de acordo com um mito pigmeu, Chameleon escutou um barulho estranho em uma árvore, cortou seu tronco e então de dentro dela saiu água em uma grande inundação que se espalhou por todo o mundo. O primeiro casal humano emergiu com a água.

Folclore é um gênero da cultura que se manifesta por costumes, lendas, tradições e festas. As manifestações folclóricas podem ser vistas através da sabedoria popular antiga, pela diversidade de dialetos, pela arte, pela diversidade de religiões e credos, pelos trajes, pelas músicas e por outros.


Culinária africana
A África, por ser um continente muito grande, possui a influências de vários outros povos em sua alimentação. Portanto é muito difícil definir uma culinária tipicamente africana, mas existem sim pratos característicos em algumas partes do continente.Podemos citar como exemplos de pratos da culinária africana:O Macarrao Bechamel (uma espécie de “torta” de macarrão); Foul (patê de fava); Calulu de peixe; Tarco; Pomba Recheada; Mussaká; Méchoui de cordeiro e Molouhia (sopa de verduras especial do Oriente Médio).


Arquitetura Africana
Existem muitos preconceitos com relação à arte africana e à África em geral. A denominação genérica de africano engloba maior quantidade de raças e culturas do que a de europeu, já que no continente africano convivem dez mil línguas, distribuídas entre quatro famílias, que são as principais. Isso torna difícil encontrar os traços artísticos comuns, embora, a exemplo da Europa, se possa falar de um certo aspecto identificador que os diferencia dos povos de outros continentes. A arquitetura africana teve um caráter utilitário, em vez de comunitário, e salvo raras exceções, nunca foi empregada (como no resto das civilizações) como representação de poder. Comum a todos os povos foi a utilização de materiais pertencentes à sua região geográfica e o uso intencional e comedido dos materiais em equilíbrio com o meio ambiente. Independentemente de sua hierarquia, todos possuíam o mesmo tipo de casa, não como expressão de igualdade, mas de pertinência ao mesmo grupo.

Cabanas circulares de construção tradicional - Gana

Os materiais utilizados variavam segundo a região, mas normalmente eram semelhantes: desde o barro até fibras secas tecidas, ou uma combinação de vários. De modo geral, o povoado se protegia com uma muralha de barro, que rodeava e marcava os limites da aldeia.O Grande Zimbábue é o que restou de um povoado, todo construído por uma muralha monumental. Centro de uma importante cultura dedicada à pecuária, seus muros medem quase 10 m de altura. O motivo de seu abandono repentino é desconhecido, embora sua lenda como santuário tenha persistido até o início deste século.
Mesquita de Mercadores de Sal - Timbuctu

Além das diferentes variações de choças de adobe e palha, existem na África outros estilos arquitetônicos autóctones. Os ashantis constroem grandes palácios e templos com paredes de barro sustentadas por uma armação de estacas. São numerosas as mesquitas erguidas desse modo, como a Mesquita ashanti de Larabanga, em Gana.



Autores: Dionísio Jr., Luiza Bouzon, Mariane Furtado, Mayumi Penteado, Paulo Gomes e Thais Peixoto.


Animais Africanos

Zebra
CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Perissodactyla
Família: Equidae
Gênero: Equus

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:
A zebra é um mamífero originário (nativo) do continente africano (região sul e central). As zebras são animais herbívoros, ou seja, alimentam-se de plantas. Elas possuem um comportamento pacato, porém, podem atacar quando estão em situação de risco. Elas vivem em manadas (famílias) compostas por machos, fêmeas e filhotes. Podem ser muito velozes, podendo atingir até 50 quilômetros por hora de velocidade. Quando vão ficando velhas, suas famosas listras vão sumindo. As zebras fazem parte da mesma família dos cavalos, burros e asnos. As espécies de zebras mais conhecidas são: Zebra-de-grevy, Zebra-das-planícies, Zebra-de-burchell, Zebra-de-chapmann, Zebra-de-grant, Zebra-das-montanhas (ameaçada de extinção) e Zebra-do-cabo. Os leões são os principais predadores das zebras nas savanas da África. Uma zebra adulta pode pesar até 200 quilos e sua gestação dura por volta de 360 dias. Em cada gestação, nasce apenas um filhote (os partos múltiplos são raros). Uma zebra saudável pode viver, em média, de 25 a 30 anos.
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:
Comprimento: de 2 a 2,3 metros (animal adulto)
Altura: de 1,4 a 1,6 metro
Cor: listrada em marrom escuro e branco
Habitat: savanas africanas



Girafa
A girafa é um mamífero de grande porte. Vive em regiões secas e com árvores dispersas situadas nas savanas africanas do sul no deserto do Saara.
Seu corpo todo é coberto por uma pele resistente e veludosa. Sua língua é longa (pode medir até 40 centímetros de comprimento) e flexível, e a utilizam junto ao lábio superior para arrancar as folhas dos ramos mais altos. Cada girafa pode alcançar 5,30 metros de altura, sendo boa parte dessa altura constituída pelo pescoço. Existe apenas uma espécie de girafa, porém há uma variedade de manchas e cor de sua pele. Apesar de serem grandes, as girafas correm com grande velocidade, podendo chegar a 50 km/h.
As fêmeas de girafa têm lugares específicos para parir dentro de seu território. Escolhem um determinado lugar para trazer ao mundo sua primeira cria e sempre voltarão a esse local para os partos seguintes, mesmo no caso de seu território ter sido destruído. Seus filhotes ao nascer costumam ser vítimas dos predadores durante o primeiro ano de vida. Após a amamentação, os filhotes fêmeas permanecem no território materno, enquanto os machos abandonam formando grupos separados.


Elefante
CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Proboscidea
Família: Elephantidae
INFORMAÇÕES IMPORTANTES:
Os elefantes vivem em manadas, sendo que cada uma é dividida em famílias. Os elefantes africanos vivem nos territórios do Quênia, Tânzania e Uganda. Habitam regiões de florestas e savanas. O elefante é o maior animal terrestre do mundo, sendo que o elefante africano é muito maior que o elefante indiano. Possuem presas de marfim na boca muito duras e resistentes. São animais herbívoros, que se alimentam de folhas de árvores, ervas, raízes, frutos e de gramas. Um elefante adulto ingere, em média, 100 quilos de alimento por dia.
Os elefantes podem ter filhotes que ao nascer já podem pesar até 80 quilos. Por volta de 60 anos de idade, o elefante perde seus dentes molares (presas) impossibilitando sua alimentação e levando-o a morte. Os elefantes africanos estão em extinção atualmente, devido à caça indiscriminada à espécie.
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:
Expectativa de vida: em média 60 anos
Altura: varia de 3 a 4 metros
Cor: cinza escuro
Peso: em média 6 toneladas (os africanos podem atingir até 12 toneladas)
Gestação: de 20 a 22 meses


Leão
CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Felidae
Gênero: Panthera
Espécie: P. leo

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:
Leão é o nome popular do felino cujo nome científico é Panthera leo. O leão pode ser encontrado em três continentes: África, Europa e Ásia. Porém, a grande a maioria desse animal habita as savanas africanas. A cor do leão varia entre o amarelo claro e o marrom. Os machos se diferenciam das fêmeas pelo tamanho, peso e presença da grande juba. Os leões são carnívoros e caçadores (principalmente as fêmeas). Os leões se alimentam de antílopes, gnus, búfalos, zebras, javalis e outros mamíferos. Um leão de grande porte consegue comer até 35 quilos de carne em apenas um dia. Eles vivem em grupos de 5 a 40 animais, formado na maioria por fêmeas. Essas fêmeas são responsáveis pela caça e cuidado dos filhotes, enquanto os machos são encarregados de proteger o grupo dos animais maiores. Existem muitas espécies de leões, porém as mais conhecidas são: leão-sul-africano, leão-do-atlas, leão-asiático, leão-do-cabo e leão-senegalês. Eles podem atingir até 55 km/h, porém só conseguem percorrer pequenas distâncias.

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:
Comprimento: entre 2,5 m e 3,0 m (macho) e entre 2,3 m e 2,7 (fêmea)
Peso: entre 150 e 230 kg para machos e entre 120 a 170 kg para fêmeas.
Cor: do amarelo claro ao marrom
Altura: aproximadamente 60 a 90 cm

Autor: Michel Rodrigues


Os Climas Africanos

No continente africano há o predomínio do clima tropical, exceto em algumas regiões, que possuem temperatura elevada devido à sua localização geográfica próxima à linha do Equador, além dos Trópicos de Câncer e de Capricórnio. Quase dois terços do continente africano estão na zona intertropical da terra, apresentando assim altas temperaturas com poucas variações durante o ano. Os climas presentes África são: equatorial, tropical, desértico e mediterrâneo.

O clima equatorial tem como principal característica ser quente e úmido o ano todo. Esse clima abrange parte do centro-oeste do continente.

O clima tropical é quente e apresenta invernos secos, predominante do centro e sul do continente, incluindo a ilha de Madagascar

O clima desértico é seco, apresentando pequenas quantidades de chuvas anuais. No continente africano acompanha os desertos do Saara e do Caalari.

O clima mediterrâneo é quente, com invernos úmidos. Localizam-se, respectivamente, nos extremo norte e sul do continente.

A África é um dos continentes com maiores biodiversidade do mundo, devido ao seu clima - que favorece o desenvolvimento de matéria orgânica gerada pela decomposição de plantas.

Autora: Lélia


A Vegetação Africana - Parte I

A África apresenta diversos tipos de vegetação, que constituem ecossistemas variados e característicos do continente. É possível classificar as formações vegetais em seis: o chaparral (ou vegetação mediterrânea); o deserto e a estepe tropical; a floresta tropical pluvial e equatorial; a savana e o campo tropical; e os domínios de montanha. Existe ainda uma ilha, denominada de Madagascar, que não se enquadra em nenhuma dessas classificações e, portanto, é considerada como um caso a parte.

O chaparral (ou vegetação mediterrânea)
A vegetação do chaparral, que predomina nas extremidades norte (fronteira com o Mar mediterrâneo) e sul do continente africano, é condicionada pela presença de verões quentes e secos e invernos amenos e chuvosos.

Suas formações vegetais são caracterizadas pela presença de arbustos com folhagem espessa e resistente, que tem a função de evitar a desidratação no período de estiagem. Estas espécies arbustivas são os maquis e os garrigues; estes últimos costumam se desenvolver em solos rochosos.

Na África do Sul, este domínio fitogeográfico adquire características que diferenciam esta região das demais que apresentam a vegetação mediterrânea, dando origem ao ''fynbos'' sul-africano. Esta formação vegetal apresenta maior biodiversidade botânica que a própria floresta amazônica. Em meio aos arbustos, é possível achar espécies de plantas endêmicas, com exóticas flores, que contribuem para a formação de habitats para várias espécies de anfíbios (como os sapos) e répteis.

Infelizmente, esta rica variação da vegetação mediterrânea, presente apenas na África do Sul, está sendo ameaçada pelos processos de urbanização e de expansão da agricultura desenvolvidos no país, o que põe em risco uma das paisagens vegetais mais belas e diversificadas do mundo.

Formação floral do fynbos sul-africano


O Deserto e a Estepe Tropical

As paisagens vegetais desérticas são constituídas por plantas adaptadas ao baixo índice pluviométrico, característico destas regiões. Como são situadas em zonas temperadas ou tropicais, é constante a presença de estruturas fisiológicas, nos seres-vivos que habitam estes locais, as quais impedem a desidratação de seus organismos. Da mesma forma, pode-se observar o desenvolvimento efêmero das espécies vegetais, cujo período de desenvolvimento e floração é bastante rápido, logo após os breves períodos chuvosos. Todas estas características podem ser analisadas nas áreas envoltas dos oásis, cuja umidade propicia um grande desenvolvimento da flora.

Nos desertos africanos, é possível encontrar plantas do gênero Euphorbias, as quais são suculentas e possuem pouquíssimas ou quase nenhuma folhagem, a fim de evitar a perda de água por evapotranspiração. Com este mesmo intuito, estas espécies podem apresentar espinhos (em substituição às folhas) e poros bem estreitos. De forma geral, podemos encontrar ainda arbustos de galhos ramificados e pequenas folhas grossas, cuja espessa parede evita a desidratação.

Devido ao grande número de desertos no continente africano, são observadas particularidades na vegetação de cada região desértica. Enquanto no Saara há espécies halófitas, adaptadas a ambientes com alto índice de salinidade, na porção norte do Kalahari são encontradas palmeiras e árvores de maior porte, criando uma incomum paisagem desértica. Já no deserto da Namíbia, um dos mais secos do mundo, existe uma das mais incomuns plantas: a Welwitschia mirabilis, espécie de gimnosperma com folhas suculentas, que pode viver mais de cem anos.

A Estepe Tropical se assemelha em muito a vegetação desértica. Seus índices pluviométricos intermediários possibilitam o surgimento de plantas diferentes, com raízes mais profundas, mas que não deixam de apresentar caules retorcidos, com espinhos e poucas folhas. Este tipo de estepe se estende por faixas de transição entre a vegetação desértica e as vegetações circundantes, dentre as quais se destaca a savana.

Juntas, a vegetação desértica africana e a estepe tropical estão presentes nas regiões pertencentes e próximas aos desertos do Saara, do Kalahari e da Namíbia (extremo sudoeste africano) e no extremo leste do continente.

Oásis na parte algeriana do Saara


Autor: Pedro Henrique Andrade




A Vegetação Africana - Parte II

A savana e o campo tropical


As savanas e campos tropicais estão presentes, na região abaixo do deserto do Saara, estendendo-se até o deserto do Kalahari, e são cortadas pelas floretas tropicais pluviais equatoriais, a oeste, e por regiões montanhosas, a leste.

Estas formações vegetais são influenciadas pelas estações chuvosas e secas que se alternam e se sucedem na região. O ambiente das savanas é caracterizado pela presença de arbustos e gramíneas, plantas bem adaptáveis, de caule oco e capazes de formar pequenos grupos de árvores isolados. Da mesma forma, podem ser encontradas espécies de palmeiras e de baobás, árvores de grande porte que podem viver por mais de mil anos.

Durante a estação seca, são comuns os incêndios naturais, que atuam como agentes constitutivos dos ecossistemas e limitantes das florestas tropicais pluviais e equatoriais.

A savana africana e os campos tropicais constituem parte dos habitats de animais característicos do continente, como os elefantes, os leões, os rinocerontes, as zebras e as girafas, constituindo assim, paisagens vegetais características da África, que devem ser mantidas e preservadas.


Os domínios de montanha

Este tipo de formação vegetal é caracterizado pela presença de plantas adaptadas às diferentes altitudes e às temperaturas mais baixas decorrentes destas variações de altitude.

Na África, estas regiões se situam ao leste do Kalahari, no extremo leste próximo ao Oriente Médio e ao leste das florestas tropicais e equatoriais da região do Congo, acima da linha do Equador.

Nos locais próximos ao Oriente Médio, a vegetação predominante é a desértica e de estepe tropical, marcando o final do deserto do Saara e, não apresentando variações relevantes em relação ao resto do deserto.

Já na porção acima do Equador e a leste das florestas presentes na área do Congo, podem ser observadas vegetações desérticas, de estepe tropical e variações das florestas equatoriais e tropicais do continente. Estas variações são pouco conhecidas e exploradas devido aos conflitos da região em que se localizam (Etiópia e Eritréia), além de apresentarem diferenças no índice pluviométrico anual, que depende da localidade onde aprecem. Nas partes mais altas destes domínios montanhosos, é possível reconhecer pradarias, com vegetação alpina adaptada a climas secos e frios, e áreas arborizadas, que variam de acordo com os índices pluviométricos de cada região, condicionados pelo recebimento de massas de ar úmida de outras regiões, como o Mar Vermelho.

Enquanto isso, nos locais situados a leste do Kalahari, podemos encontrar formações herbáceas e variações das florestas tropicais presentes no continente. A primeira é caracterizada por suas plantas capazes de acumular matéria orgânica no solo, enriquecendo-o; enquanto a segunda possui várias espécies endêmicas de orquídeas e margaridas, nas quais contribuem para a formação de habitats para várias espécies de répteis que vivem na região.

Assim, é possível observar como fatores de relevo e a altitude, podem afetar as paisagens vegetais, criando diversos territórios com grande número de particularidades.




Florestas tropicais nas montanhas situadas a leste do Kalahari, no extremo sul da África










Florestas em montanhas da Etiópia















Pradarias nas grandes altitudes da Etiópia

Autor: Pedro Henrique Andrade


A Vegetação Africana - Parte III

As florestas pluviais equatoriais tropicaisAs florestas pluviais equatoriais tropicais se estendem, no território africano, pelas regiões costeiras que compreendem os Estados situados entre a Guiné e a Bacia do Congo e, se espalham pelo resto continente, podendo ainda ser encontradas no litoral do sudeste africano.
Estes domínios fitogeográficos se caracterizam pela grande biodiversidade e por sua vegetação densa, acostumada a altos índices pluviométricos anuais e ausência de estações muito secas. Nestes locais, é possível observar a presença de espécies vegetais de diferentes tamanhos e alturas, como arbustos e musgos que convivem, ao mesmo tempo, com palmeiras e árvores de galhos longos e ramificados, com densa folhagem, servindo de abrigo a orquídeas, epífitas e briófitas.
No continente africano, em regiões onde estas florestas são devastadas e modificadas, observa-se a proliferação do capim-elefante, espécie de gramínea que serve de alimento para vários animais, em sua fase jovem, e de abrigo para insetos, em sua fase adulta.
Porém, estas florestas vêm sendo cada vez mais ameaçadas por atividades extrativistas (como a extração da madeira), conflitos sociais e expansão da agricultura em decorrência do aumento populacional. Por isso, urge que medidas sejam tomadas pelos Estados destas regiões, a fim de impedir que estes locais, lares dos famosos gorilas e elefantes africanos e de muitas outras espécies de seres vivos, desapareçam.


A vegetação na ilha de Madagascar
Florestas tropicais do leste da ilha

Por ser isolada do continente, a ilha de Madagascar apresenta grande número de espécies endêmicas, existentes apenas nesta região do globo. Da mesma forma, seus tipos de vegetação apresentam pequenas variações em relação a seus semelhantes continentais.
É o caso das florestas tropicais da região, que possuem um clima mais seco que a região equatorial e tropical da África, conhecida por suas densas florestas. No norte e no leste da ilha, onde há predomínio desta vegetação, é perceptível a presença de árvores de tamanho reduzido, menores, como palmeiras e bambus.
Já na porção sul desta localidade, é possível encontrar paisagens vegetais semelhantes às desérticas e de estepe tropical, com espécies vegetais espinhentas. Neste local, da mesma forma que nos desertos africanos, podem ser encontradas espécies do gênero Euphorbiais, com estruturas fisiológicas que impedem a desidratação da planta, além de espécies de baobás.
A vegetação da parte oeste de Madagascar é constituída por florestas secas, adaptadas à alternância de estações secas e chuvosas. São características desta região várias espécies de baobás e árvores parecidas com os carvalhos europeus.
A ilha vem enfrentando dificuldades para manter intactos estes domínios fitogeográficos, lar de espécies únicas de plantas e animais, como os lêmures. Assim como em outras regiões africanas, o desmatamento (nesse caso, para extração de lenha e carvão, além da expansão da agricultura) vem causando grandes prejuízos, de forma crescente e rápida, à vida natural da ilha.

Lêmures, animais comuns na ilha de Madagascar



Florestas secas da região oeste de Madagascar






Vegetação desértica e de estepe tropical da região sul de Madagascar






Autor: Pedro Henrique Andrade



Relevo Africano

Montanhas rochosas de granito resistentes, próximas ao Saara


É possível, de forma generalizada, afirmar que o continente africano, referindo-se ao seu relevo, é composto por vários planaltos (estruturas elevadas com topos aplainados), circundado por regiões de escarpas mais altas. Estes locais mais elevados são formados por montanhas mais jovens, em relação ao resto do continente, e podem ser exemplificados pela Cadeia do Atlas, situada no noroeste da África.

Esta cadeia também faz parte do grupo de compartimentos rochosos através dos quais pode se dividir o território africano. Além da Cadeia do Altas, este conjunto engloba a Cadeia do Cabo, o Maciço da África Centro-Oriental e o Maciço da África Centro-Ocidental.

A Cadeia do Atlas agrega os territórios nacionais que vão desde o Estado do Marrocos até o Estado da Tunísia. Por ser um dobramento moderno e, por isso, ter sofrido pouca ação de processos de erosão, o conjunto de montanhas que constitui esta cadeia pode chegar a alturas altíssimas, até quatro mil metros de altitude.

Já o Maciço da África Centro-Oriental é um conjunto montanhoso constituído pelos territórios que vão desde a Somália até a Tanzânia. Este maciço é constituído por montanhas e picos formados através de atividades vulcânicas e agrega algumas das regiões mais altas, como o Monte Quênia e o Quilimanjaro.

A Cadeia do Cabo é formada por outro grupo de montanhas, que em conjunto com a Cordilheira de Drakensberg, forma uma grande cadeia montanhosa que separa os planaltos da área interna do continente da estreita área costeira da região sul da África.

Por fim, temos o Maciço da África Centro-Ocidental, grupo de montanhas as quais foram originadas a partir de relevos antigos, que sofrem há muito com processos erosivos e, assim, apresentam elevações menores em relação às outras do continente. Portanto, poucas são as áreas de altura considerável nesta região, como o Fouta Djallon.

Além disso, é possível perceber na porção oeste do continente, do sul em direção ao norte, como estruturas que compõem o relevo africano tem suas altitudes diminuídas ao passo que se aproximam do oceano e das bacias de rios, como o Congo e o Níger. São exceções a esta regra, a Cadeia do Atlas e partes do deserto do Saara, formadas por rochas resistentes de granito, que as faz atingir grandes altitudes em relação a suas regiões circundantes.






À esquerda, o Monte Quênia. Acima, o Monte Atlas.


Autor: Pedro Henrique Andrade


Hidrografia da África

A África é formada por grandes lagos, rios e bacias hidrográficas. A seguir veremos os principais lagos e rios.

Principais lagos:

Lago Alberto: O lago Alberto fica na divisa de dois países, Uganda e República Democrática do Congo, e faz parte dos Grandes Lagos Africanos. Tem cerca de 5300 km² de área, um comprimento máximo de 160 km e uma largura máxima de 30 km.

A profundidade média é de 25 m e a máxima de 58 m. Situa-se a 615 m de altitude.
Em 1864, o explorador Samuel Baker foi o primeiro europeu a avistar o lago, dando-lhe o nome de Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, o então recém-falecido Príncipe consorte da Rainha Vitória.



Lago Niassa: O Lago Niassa (em kiswahili, grafado como Nyasa e, conhecido na língua inglesa como Lake Malawi) é um dos Grandes Lagos Africanos e está localizado no Vale do Rift, entre o Malawi, a Tanzânia e Moçambique. Com uma orientação norte-sul, o lago tem 560 km de comprimento, 80 km de largura máxima e uma profundidade máxima de 700 m.

É um lago único no mundo por formar uma província biogeográfica específica, com cerca de 400 espécies de ciclídeos descritas endêmicas (cerca de 30% de todos os ciclídeos conhecidos no mundo) e provavelmente muitas ainda por descrever. Estima-se que tenha uma idade entre um e dois milhões de anos. Uma vez que se encontra numa região tropical e por ser muito profundo, o lago está permanentemente estratificado, com um epilímnio mais quente sobre um hipolímnio mais frio. O nível da água varia com as estações do ano e tem ainda um ciclo de longa duração, com os níveis mais altos em anos recentes, desde que existem registros. O Parque Nacional do Lago Malawi, abrange em sua extremidade sul, uma dúzia de ilhas, uma região de reserva florestal e uma zona aquática de até 100 m da costa, que foi inscrita pela UNESCO em 1984 na lista dos locais que são Patrimônio da Humanidade.



Lago Tanganica: O lago Tanganica, ou Tanganhica (do seu nome em suaíli Tanganyika) é o segundo maior lago de África e é partilhado pela Tanzânia, República Democrática do Congo, Burundi e Zâmbia.

Está localizado no braço ocidental do Grande Vale do Rift, a uma altitude de 782 metros. Estende-se por cerca de 673 km, sendo assim o lago mais longo do mundo, sem contar o Mar Cáspio - com uma largura média de 50 km e tem uma profundidade máxima de 1470 metros. Estima-se que este lago seja o segundo mais antigo e mais profundo do mundo, depois do Lago Baikal na Sibéria. Cobre uma área de 32.900 km², e tem uma linha de costa de 1.828 km, com uma profundidade média de 570 m. O seu volume é estimado em cerca de 18.900 km³.

Existem quatro áreas protegidas nas suas margens: a Reserva da Natureza de Rusizi, no Burundi (um sítio Ramsar), o Parque Nacional de Gombe Stream (onde se encontram os chimpanzés de Jane Goodall), o Parque Nacional das Montanhas Mahale, na Tanzânia e o Parque Nacional de Nsumbu, na Zâmbia.

Além de ser um excelente meio de comunicação entre os países e povoações ribeirinhas, o Lago Tanganica é rico em peixes, sendo uma importante fonte de proteínas para os povos da região. Estima-se que aproximadamente 45 mil pessoas estejam diretamente envolvidas nas pescarias, operando de quase 800 centros de pesca. No entanto, pensa-se que mais de um milhão de pessoas dependam desta atividade.

O lago Tanganica tem como afluentes principais o rio Ruzizi, que entra pelo seu extremo norte, trazendo-lhe água do lago Kivu, e o Malagarasi, que é o segundo maior rio da Tanzânia, entrando no lago pela sua margem oriental. Desta maneira, estima-se que a sua bacia hidrográfica cubra cerca de 231.000 km². O principal efluente é o rio Lukuga, mas apenas quando o nível do lago Tanganica é muito alto. O rio Malagarasi é mais antigo que o lago Tanganica e já esteve ligado ao rio Congo.
Devido à sua enorme profundidade e localização tropical, as águas do lago não sofrem a viragem sazonal própria dos lagos das regiões frias e, como consequência, as suas águas profundas são consideradas como “água fóssil” e são anóxicas (sem oxigênio).



Lago Vitória: O Lago Vitória ou Victoria Nyanza (em língua suahili) é um dos Grandes Lagos Africanos, localizado num planalto elevado na parte ocidental do Grande Vale do Rift, na África oriental, e está sujeito a administração territorial pela Tanzânia, Uganda e Quênia.

Com 68 870 km² de área (quase a mesma da Irlanda), é o maior lago do continente africano, o maior lago tropical no mundo e o segundo maior lago de água doce no mundo em termos de área. Sendo relativamente raso, é considerado como o sétimo maior lago de água doce em termos de volume e contém 2760 km3 de água. É uma das nascentes do Rio Nilo, o Nilo Branco.

Existem mais de 3000 ilhas no seu interior, muitas das quais habitadas. Entre elas estão as Ilhas de Ssese, em Uganda, e a Ilha Ukerewe, na parte sudeste, pertencente à Tanzânia e a maior ilha lacustre de África.

O Lago Vitória tem um papel vital apoiando milhões de pessoas que vivem ao seu redor, numa das regiões mais densamente povoadas da Terra, a África oriental.
Também é um ecossistema extremamente doente. Durante a década de 1950, um peixe chamado perca-do-nilo (Lates niloticus), um voraz predador, foi introduzido no lago numa tentativa de melhorar os rendimentos de pesca, mas acabou devastando o ecossistema local, dizimando mais de 200 espécies nativas. A catástrofe ambiental e social decorrente da introdução da perca-do-nilo no lago Vitória é assunto do documentário “O pesadelo de Darwin”, ganhador do Oscar de 2006. Mais tarde, os bons lucros iniciais com as capturas da perca-do-nilo diminuíram dramaticamente.

Atualmente, a perca-do-nilo está sendo retirada, e estudos indicam que algumas das espécies nativas aumentaram novamente.
Um problema ecológico com uma solução mais eficiente foi a luta contra o aumento enorme do jacinto-de-água (Eichhornia crassipes), nativa da América tropical, que forma uma espécie de tapete espesso, causando dificuldades para o transporte e a pesca. Em 1995, 90% do litoral do Uganda foi coberto pela planta, mas conseguiram-se bons resultados na resolução deste problema, através da introdução de um inseto que apenas se alimenta desta planta, que tem o nome científico de Neochetina eichhorniae.

A perda de oxigênio no lago por causa da poluição tornou a água turva.

Profundidade média: 40m // Profundidade máxima: 84m // Perímetro: 8440Km // Altitude: 1133m


Principais rios:

Rio Nilo: O rio Nilo é um grande rio do nordeste do continente africano que nasce a sul da linha do Equador e deságua no Mar Mediterrâneo.

A sua bacia hidrográfica ocupa uma área de 3 349 000 km² abrangendo o Uganda, Tanzânia, Ruanda, Quênia, República Democrática do Congo, Burundi, Sudão, Etiópia e Egito. A partir da sua fonte mais remota, no Burundi, o Nilo apresenta um comprimento de 6.627,15 km.

É formado pela confluência de três outros rios: o Nilo Branco (Bahr-el-Abiad), o Nilo Azul (Bahr-el-Azrak) e o rio Atbara. O Nilo Azul (Bahr-el-Azrak) nasce no Lago Tana (Etiópia), confluindo com o Nilo Branco em Cartum, capital do Sudão.
Muitos geógrafos deixaram de o considerar como o maior rio do mundo, perdendo o posto para o rio Amazonas, com cerca de 6.992,06 km de extensão.

Entre Malakal e Cartum, o Nilo é conhecido como o Nilo Branco. Em Cartum o Nilo Branco recebe as águas do Nilo Azul, oriundo dos altos planaltos da Etiópia.
A 322 quilômetros a norte de Cartum, o Nilo recebe o seu último grande afluente, o rio Atbara, oriundo igualmente do planalto abissínio. O rio avança então pelos penhascos da região da Núbia até chegar a Assuão, no Egito. A partir de Assuão, o vale alarga até se atingir o Delta, que se inicia um pouco a norte da cidade do Cairo.

O Delta do Nilo é uma região plana com formato triangular, apresentando 160 km de comprimento e 250 km de largura. No Delta o Nilo bifurca-se em dois canais que levam as suas águas para o Mediterrâneo: a oeste, o canal de Roseta, e a leste, o de Damieta.

O Nilo possui várias cataratas, mas na antiguidade distinguiam-se seis cataratas clássicas do Nilo que estavam situadas entre Assuão e Cartum.
A primeira catarata situa-se em Assuão, constituindo hoje em dia a única catarata do Nilo em território egípcio. Esta catarata era na Antiguidade a fronteira sul do Antigo Egito, pois a partir dali começava a Núbia.
A segunda catarata, perto de Uadi Halfa, encontra-se hoje submersa. O faraó Senuseret III ordenou a construção nas suas redondezas das fortalezas de Semna e Kumma.

Comprimento: 6.627,15Km // Nascente: Floresta Nyungwe, Ruanda // Débito médio: 2000m³/s // Foz: Mar Mediterrâneo // Área da bacia: 3.349.000Km²



Rio Níger: O Níger é o terceiro rio mais longo da África, e o principal da África Ocidental, com cerca de 4180 km de comprimento e uma bacia hidrográfica de 2,2 milhões de km². Nasce nas montanhas na fronteira entre a Guiné e a Serra Leoa, dirige-se para norte e depois para nordeste, passando por Bamako, capital do Mali, e depois por Timbuctu, no meio do deserto do Saara. Faz uma apertada curva para sudeste, passando por Niamey, capital do Níger, serve de fronteira entre este país e o Benim e deságua no Golfo da Guiné, num enorme delta no sul da Nigéria. O seu principal afluente é o Rio Benue.

Comprimento: 4180Km // Nascente: Fronteira entre Guiné e Serra Leoa // Débito médio: 6000m³/s // Foz: Golfo da Guiné // Área da bacia: 2.200.000Km² // Principais afluentes: Benue, Sokoto



Rio Zambeze: O Zambeze (em inglês: Zambezi ou Zambesi) é um rio da África Austral. Tem 2.750 km de comprimento; nasce na Zâmbia, passa pela província angolana do Moxico, estabelece a fronteira entre a Zâmbia e o Zimbábue e atravessa Moçambique de oeste para leste, para desaguar no Oceano Índico num enorme delta. A parte mais espetacular do seu curso é as Cataratas Vitória, as maiores do mundo, com 1708 m de extensão e uma queda de 99m. Este monumento natural foi inscrito pela UNESCO em 1989 na lista dos locais que são Patrimônio da Humanidade.

Existem duas grandes barragens no rio Zambeze: Kariba, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbábue (e gerida conjuntamente) e Cahora Bassa, em Moçambique. Estas barragens são uma das maiores fontes de energia elétrica para a sub-região da África Austral e as suas albufeiras são igualmente palco de importantes pescarias.

Área da bacia: 1.390.000Km²



Autor: Gabriel


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